Lula gosta de se comparar com o governo Fernando Henrique Cardoso. Pois bem, mesmo com uma profunda discordância de pensar um país olhando pelo retrovisor, lembro que, em oito anos dos governos FHC, o Brasil nunca teve crescimento negativo – longe disso –, mas, em 2009, amargaremos retração econômica pela primeira vez desde 1992, ano em que o hoje aliado preferencial de Lula, Fernando Collor, foi escorraçado do poder.
Não cabe culpar a crise, porque FHC enfrentou cinco crises mundiais devastadoras, numa época em que a economia não estava estabilizada, como agora está. Com Lula, crescer pouco tem sido uma rotina: entre 2003 e 2008, o Brasil cresceu 27,9%, atesta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e foi o 14º colocado entre 18 países da América Latina. A Argentina, esbarrando em crises políticas e econômicas, cresceu 63%; o Uruguai, 52%; o Peru, 49%.
Sob Lula, o Brasil só cresceu mais que quatro países. Na rabeira, o México não conta porque, pela proximidade com os EUA, foi duramente afetado pelo estouro da bolha habitacional norte-americana. Noves fora: o Brasil de Lula só foi melhor que Guatemala, Nicarágua e El Salvador. Sob Lula, estamos perdendo o mercado importador argentino para a China, que fica do outro lado do planeta.
E o investimento público de Lula? Em seus três anos, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) recebeu, no papel, R$ 63.489,7 bilhões, mas até aqui o governo Lula e a “madrasta do PAC”, a ministra Dilma Rousseff, só conseguiram aplicar menos da metade disso – R$ 30.674,6 bilhões, ou 48,3%, segundo números do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Em 2009, Dilma só conseguiu investir 23,4% do PAC, um vexame nunca visto na história da administração pública deste país.
A média anual de investimento público do governo Lula é de R$ 18,4 bilhões (1,33% da arrecadação), aí incluído o PAC; nos governos FHC, a média, com valores corrigidos pela inflação, foi de R$ 20,3 bilhões (1,78% da arrecadação). Lula perde feio.
Ele é bom de prometer. Todos lembram da promessa de construir 1 milhão de casas (“Talvez 2 milhões”) no programa Minha casa, minha vida. Prometeu, incendiou o imaginário das pessoas e não cumpriu: até agora, o programa entregou alguns poucos milhares de casas e contratou apenas 140 mil. O déficit habitacional de 7 milhões de residências será mais uma herança maldita para o próximo governo.
Lula apresentou o Pré-Sal como sua realização. Mentira. O Pré-Sal vem sendo formulado e cevado, pelo menos, desde 1983. Só foi possível mapeá-lo agora porque a Lei do Petróleo legada pelo governo FHC modernizou a capacidade de pesquisa da Petrobras ao obrigá-la a competir com suas concorrentes.
Modernização, aliás, vital para aumentar a produção petrolífera. Desde a aprovação da lei, em 1997, até 2002, no governo FHC, a produção cresceu, em média, 8,4% ao ano. De 2003 a 2009, nos seis anos de Lula, o crescimento médio foi de menos da metade – 4% ao ano, certamente por culpa do aparelhamento da Petrobras.
O uso propagandístico do Pré-Sal foi tão notório e Lula não explicou uma imensa e indefinível contradição: passou seis anos pregando que o Brasil deveria adotar uma matriz renovável de energia, o etanol. Agora, em tempos de COP-15, esqueceu o etanol e aderiu à energia fóssil, uma matriz suja, na contramão de um meio ambiente sadio.
Por último, é hilariante ouvir Dilma Rousseff falar de “modernização do setor elétrico”, que se desfez como num clique nacional no dia 10 de novembro. O apagão foi causado pelo cruzamento de dois vírus muito presentes nos organismos do PT – um é o aparelhamentum estatalis; o outro, incompetentia naturalis. O mal geralmente provocado por esses dois vírus é incurável e destrói tudo à sua volta.

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