A análise dos acontecimentos de 2009 revela que a política é mesmo um espaço dinâmico. Quem olhou em janeiro o cenário da disputa presidencial de 2010 e acreditou no que viu, hoje estaria desmentido pelos fatos.
A primeira pesquisa, realizada pela CNT/Sensus, mostrava o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), muito à frente. O tucano aparecia com 42,8%, 29,3 pontos percentuais à frente da ministra Dilma Rousseff (PT), que tinha 13,5%. Alguns chegaram a duvidar se Dilma decolaria. Passados dez meses, os números são outros. No cenário mais provável, a diferença caiu mais de 12 pontos. No cenário com Ciro Gomes (PSB), a distância de Serra para Dilma despenca para 10 pontos. Os outros institutos indicam a mesma tendência.
A primeira conclusão é que a escolha de Dilma se provou correta. Responsável pela competente coordenação de projetos no governo Lula, ela deu inúmeras contribuições: do setor de energia, onde foi ministra, ao crescimento econômico sustentável, com as obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), o marco regulatório do Pré-Sal e o programa Minha Casa, Minha Vida. A mais recente foi sua atuação na Conferência Mundial do Clima. Dilma levou os compromissos do Brasil para reduzir a emissão de CO2 e ajudou a formar um grupo de defesa dos países em desenvolvimento — com África do Sul, Índia e China.
A segunda conclusão é que os índices de Serra vêm do alto conhecimento de seu nome. Figura velha na política brasileira, todo mundo lembra que Serra foi do governo Fernando Henrique Cardoso.
A terceira decorre da anterior: Dilma era – e ainda é – pouco conhecida. Quanto mais o povo fica sabendo que ela é figura importante no governo Lula desde seu início, que representa a continuidade das políticas sociais e de desenvolvimento sustentável e que faz parte de um projeto de país que já se mostrou acertado, mais cresce sua intenção de voto.
Do lado da oposição, o ano acaba em inferno astral. O provável nome demo-tucano a presidente, José Serra, terá que, antes, recolher os cacos entre seus próprios aliados. No caso Arruda, o PSDB tenta passar a ideia de que não se envolveu e jogar a culpa no DEM. Mas terá que conviver com as sequelas dos escândalos do governo Yeda Crusius e do vice-governador de Santa Catarina, Leonel Pavan.
Além disso, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, não tentará mais ser candidato — em nota, Aécio não cita Serra nenhuma vez, expondo a fratura tucana. Mas a maior dificuldade será a comparação dos governos Lula e FHC. Como Serra irá dizer que continuará os bons programas de Lula se os tucanos foram oposição a quase tudo?
Afinal, não dá para esconder a melhoria na distribuição de renda, o Bolsa-Família, o aumento do poder aquisitivo, o emprego formal crescente (10 milhões), as medidas de combate à crise econômica, a descoberta do Pré-Sal, o Luz para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o Pró-Uni, as 12 universidades e 79 escolas técnicas construídas, a redução do desmatamento e a preocupação com o meio ambiente, a integração continental e a bem-sucedida política externa.
Em 2010, vamos retomar o crescimento (no mínimo, 5%), criar 2 milhões de empregos, manter o ritmo na infraestrutura e iniciar o novo programa de obras para a Copa do Mundo e a Olimpíada, começando pelo Trem de Alta Velocidade (TAV). Vamos consolidar as alianças, construir um programa de governo com os partidos da base e a sociedade e mobilizar a militância.
Quem olha hoje o cenário vê a consolidação de Dilma e seu crescimento nas pesquisas. Na campanha eleitoral, haverá duas opções: o velho jeito de Serra e FHC, ou o novo Brasil que está sendo construído pela aliança em torno de Lula e Dilma.

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